Sábado, 9 de Setembro de 2006

11/9

Com a aproximação do 11 de Setembro, não faltam filmes, documentários, memoriais e reconstituições da data que marca uma mudança na História. (Não deixa se ser interessante pensar que também foi a primeira vez que as pessoas do mundo inteiro perceberam, quase imediatamente, que tinham assistido a uma mudança histórica em tempo real.) Mas então, de tudo o que está a ser dito, mostrado e comentado, chamou-nos a atenção um documentário no canal 2, dentro da linha da teoria da conspiração.


Como toda a gente que navega da Internet sabe, as teorias da conspiração constituem um autêntico culto e incidem sobre praticamente todos os acontecimentos históricos de que há memória (Cristo não existiu, os sul-americanos tinham contactos com os astronautas, Estaline foi assassinado, o homem não foi à Lua, etc. etc.). Todas juntas, pode-se dizer que são uma autêntica História Paralela.


No caso concreto do 9/11, podem resumir-se a um único paradigma: quem fez os atentados foi o Governo dos Estados Unidos (uma versão mais radical, aceite pelo homem comum nos países árabes, é que foram os israelitas). Porquê? Interesses políticos, económicos, os móbeis “ocultos” do costume. Não é difícil levantar uma lista de boas razões.


Uma amiga minha telefonou-me indignada, “vê como eles nos enganam” e disse-me sentidamente que se aquilo tudo for verdade já não consegue acreditar nos valores ocidentais que tanto apreciamos.


Tenho uma visão um pouco mais pragmática das teorias da conspiração em geral e da do 9/11 em particular: tanto faz.


A História não é, nunca foi, nem há-de ser, um relato de acontecimentos reais. É uma narrativa do que se consegue saber, do que se extrapola e do que é relatado por quem tem o poder de relatar. (Um exemplo: os Vândalos afinal não eram assim tão vândalos. Quem inventou isso foram os romanos, que fizeram circular histórias de uma crueldade inaudita, para os poder chacinar — o que efectivamente fizeram: massacraram todos os indivíduos do sexo masculino e entregaram as fêmeas de todas as idades aos núbios, seus aliados na guerra.)


Portanto, não interessa realmente se o 9/11 foi obra dos “radicais muçulmanos” ou dos “radicais neoconservadores”; se foram alguns muçulmanos, isso não os faz piores do que já sabemos que eles são; se foram alguns cristãos, isso também não difere do que sempre fizeram, ou seja, enganar os seus próprios cidadãos por interesses “ocultos”. (Já na Grécia antiga, o nosso modelo civilizacional, a politicagem, intrigas, traições, alianças com o inimigo, etc. eram permanentes).


Para todos os efeitos práticos, o 9/11 é o que a História oficial diz que foi. Se não foi, os efeitos práticos são os mesmos, e são esses que contam. Mais ainda, são eles que constituem o palco para a próxima aldrabice histórica.


Realmente, a brutalidade e a estupidez humana são de deixar qualquer homem perplexo.

publicado por Perplexo às 01:53
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