Domingo, 14 de Maio de 2006

De volta ao presente

Olá. Muito tempo, é verdade. Não vale a pena recuperar os atrasados; tem acontecido tanta coisa… tanta que nem houve tempo para fechar a boca, quanto mais para teclar. Vou directo para a actualidade – e a actualidade já são coisas demais para um comentário que se quer curto, pois não dá para ler testamentos no ecrã, e seria prosápia demais esperar que alguém se desse ao trabalho de imprimir estas mágoas. Na actualidade, temos o Durão Barroso a baixar aos cafres para dizer, com um ar genuinamente divertido, “muito gostam estes portugueses de falar de crise!” Acho que qualquer comentário sobre isto até diminui o impacto da falta de vergonha. É preciso ter muita cara de pau, diriam os brasileiros. E temos o Medina Carreira a dizer lapidarmente (pela enésima vez) que assim não é possível, vamos falir antes do petróleo chegar aos 100 dólares. Temos também as projecções europeias (creio eu; enfim, umas projecções quaisquer) a afirmar que só vamos chegar ao nível da Europa em 2050 – quando em 2050 não estarão vivos a maioria dos portugueses vivos agora, não haverá petróleo, e os árabes já terão tomado conta disto. Ou seja, para mim, para nós, nunca. A única boa notícia é o livro do Professor Carrilho. Infelizmente será rapidamente atirado para os rodapés da História e esquecido (ao contrário dos processos que vai gerar, e que se arrastarão pelos tribunais até, também eles, desaparecerem no merecido esquecimento). Infelizmente, porque é uma peça lapidar da portuguesice no seu melhor: arrogância, despeito e incompetência. E servirá – daí a boa notícia – para agitar as águas da comunicação social e das conversas no mensenger (antigamente se diria: conversas de café) durante algum tempo, desviando a atenção dos outros problemas realmente importantes e supinamente deprimentes. Enquanto nos rimos da parvoíce do Carrilho, não choramos com a constatação nua e crua de que estamos tramados. Note-se que da última vez que estivemos muito tramados — quando as colónias estavam todas em guerra e o governo falava em missão civilizadora — não tínhamos uma consciência tão nítida, tão avassaladora e tão bem informada, de que estávamos muito tramados. Nessa altura os líricos ainda podiam esperar uma queda do regime (e não é que os líricos tinham razão?); actualmente não há lirismo que nos valha.Não há mudança de governo, de regime (cruzes, credo!) ou de continente que possa mudar o status quo. Há o Carrilho, felizmente. E Fátima, graças a Deus.
publicado por Perplexo às 02:04
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