Segunda-feira, 13 de Fevereiro de 2006

Ah pois, os cartoons

crime Tenho estado calado, mas não é por menos perplexidade. Talvez seja tanta, que nem dá para abrir a boca… Mas enfim, dos incontáveis assuntos que podem chamar a atenção de um observador medianamente informado e ferozmente opinativo, certamente que os cartoons publicados pelo Jyllands-Posten é o mais impressionante. Não é segredo nenhum, nem é preciso ter informações privilegiadas, para perceber que a agitação popular nos países muçulmanos (e dos muçulmanos nos países ocidentais, incluindo periferias da política internacional tão distantes como a Argentina) é uma coisa organizada para medir, de uma só penada: a) o poder mobilizador do radicalismo muçulmano nas suas próprias terras e no mundo; b) a reacção ocidental. No primeiro caso, nota vinte sobre vinte: os diversos focos de poder muçulmano conseguem, com um mínimo de acordo entre eles, fazer muito barulho. No segundo caso, zero sobre vinte para o chamado Ocidente, Europa à cabeça. Sejamos breves, mas comecemos pela História: o nível de liberdade presentemente usufruído no Ocidente é recente - digamos, entre 150 e 50 anos - e foi obtido à custa de muito sangue e incontáveis cadáveres. Não chegou de repente, nem há muito tempo, nem foi nada fácil. É um estado de coisas de que não se conhece paralelo na História das civilizações e, pensamos nós, não tem muito futuro. Mas, enquanto durar, esta liberdade deve ser defendida com unhas e dentes. Ainda numa nota histórica, tradicionalmente o Islão sempre foi tolerante com as outras religiões; veja-se os árabes na Península Ibérica, por exemplo. Quem começou as barbaridades foram os cristãos em Jerusalém (“matai-os todos, que Deus escolherá os seus”) e pelos vistos enquanto não pagarem por isso a História não acaba… Mas enfim, os cristãos civilizaram-se e agora não têm filhos, acham que é tudo relativo e que com conversa tudo se consegue. Muito mais se poderia dizer sobre a História, como por exemplo que direito terão os judeus de voltar à Palestina, mil e oitocentos anos depois - já pensaram se todos os povos invocassem direitos territoriais com milhares de anos? Mas adiante, passemos à lógica: faz pena ver o primeiro-ministro dinamarquês a dizer que quer dialogar. (Os dinamarqueses coitados, que há décadas andam a ajudar toda a gente, sem barulho e sem se vangloriarem, podem perceber agora que a justiça é apenas um ideal da imaginação.) Mas então, como é que se pode querer dialogar com pessoas cuja ideologia é precisamente não se poder dialogar? Ninguém se lembra do que é que foram as tentativas de dialogar com Hitler, de Chamberlain a agitar o documento “trago aqui a paz”? Não há cá diálogo possível; é preciso agir, e já, antes que a Europa se afogue no mar da sua própria porreirice. O caso dos cartoons é apenas o Irão e sus amigos a testar as águas. Há que lhes mostrar que são salobras para quem não sabe nadar nelas. Ou devemos aceitar que os palestinianos destruam os escritórios da União Europeia, que há décadas os sustenta com milhões de Euros? Finalmente, um comentário sardónico sobre os americanos; onde é que eles andam quando o circo que instauraram (com a II Guerra do Golfo, entre outras proezas) e mantêm há décadas, alimentando, armando e ajudando Israel, mesmo Israel não cumprindo o mínimo, que era a decisão da ONU de 1948 sobre o estado palestiniano, onde é que andam eles agora que a Europa se está a sentir entalada? Mas os americanos - leia-se, o actual Governo de Bush - não tem problemas destes. Eles também são fundamentalistas e não vão cá em diálogos. Como é que é aquela história do mexilhão quando o mar bate na rocha?
publicado por Perplexo às 22:41
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