Domingo, 5 de Dezembro de 2010

Crise? Qual crise

Ver um noticiário de televisão é um acto de masoquismo. Assistir a um debate, com ou sem Medina Carreira, João Duque e ex-ministros é como tomar um shot de depressivo na veia. Entre os “escândalos” – tantos, que cada um anula imediatamente o anterior – e os ratings da dívida – sempre decrescentes — não sobra espaço para respirar. Ficamos a saber que a crise está instalada, que 2011 que vai ser uma desgraça maior ainda, que as gerações futuras estão completamente hipotecadas e sem hipóteses de trabalhar, sobreviver, prosperar. Os números não deixam margem para dúvidas.

Agora, sair à rua é outra situação, diametralmente diferente. Na Avenida da Liberdade havia tantos carros, num sábado à tarde, que levei vinte minutos a chegar aos Restauradores. Não admira, o rádio informou-me que nunca se venderam tantos carros como este mês. A Baixa estava cheia de gente bem disposta, as lojas abertas, os sacos de compras por todo o lado. Passei na chapelaria do Rossio (catita!) e tive de esperar à porta porque estava cheia de clientes. Subi até ao El Corte Inglés, à pinha. Era preciso pedir licença para andar por aqueles corredores, as pessoas ajoujadas de pacotes. No final da tarde fui tomar um capuccino ao Magnólia, onde não havia lugares disponíveis. Os risos e as conversas amenas enchiam o espaço. E à noite fui ao cinema, o Alvalade, que estava cheio.

Parece que há dois países, o da televisão e o da visão real.

Espero que nunca se encontrem.

publicado por Perplexo às 13:43
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3 comentários:
De TNT a 5 de Dezembro de 2010 às 16:52
Completamente de acordo. Aliás, ainda há pouco tempo escrevi sobre este mesmo tema.
Se a vida mudou, os comportamentos não acompanharam essa mudança. Será que as pessoas só irão acordar em 2011? Ou vamos continuar a fingir que vivemos na Escandinávia?
De JOSÉ PIRES a 24 de Dezembro de 2010 às 00:52

Para ti TNT:

O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.

E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.

E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração.

Fernando Pessoa, 1931/04/01


Um abraço LIVRE de um HOMEM LIVRE

José Manuel Pires

http://josepiresapresidencia.blogspot.com/

De JOSÉ PIRES a 24 de Dezembro de 2010 às 00:50

O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.

E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.

E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração.

Fernando Pessoa, 1931/04/01


Um abraço LIVRE de um HOMEM LIVRE

José Manuel Pires

http://josepiresapresidencia.blogspot.com/

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