Domingo, 13 de Fevereiro de 2011

Cresçam

Quando o Bloco de Esquerda apareceu – aqueles grafitis com várias ovelhas brancas e uma preta, lembram-se? — simpatizei imediatamente com eles. Não era segredo nenhum que se formaram juntando três grupos marxistas-leninistas, um deles trotskista, ou os três, já não me lembro. Ora eu não sou comunista, nem nunca fui, mas subscrevo algumas análises e bandeiras dos comunistas, sem complexos. O Bloco parecia ser finalmente um partido comunista moderno, atento às questões do nosso tempo e sem aquele ranço da “luta da classe trabalhadora” que cheira a década de 1930. Estamos na era pós-industrial, dos serviços e das redes sociais, mas o PCP ainda não percebeu. Continua a dizer “trabalhador” imaginando o operário suado, de fato de macaco, a manipular a prensa de 100 toneladas. Esse trabalhador já não existe. A fábrica da VW em Palmela parece um laboratório clínico, o chão brilhante e os colaboradores de bata branca, completamente aburguesados. A antiga classe trabalhadora aburguesou-se e o PCP ainda não percebeu – entre outras más leituras, que não vêm para o caso.

 

Mas voltemos ao Bloco. Eram rapazes novos, desempoeirados, que ainda por cima defendiam causas alternativas impensáveis para uma grande parte da esquerda conservadora, como a liberalização das drogas leves e os direitos dos homossexuais. Marxistas, sem dúvida; mas as teses de Marx não provaram estar erradas, apenas precisam de se adaptar ao contemporâneo. Nunca me passaria pela cabeça viver num país dirigido por um Governo do Bloco de Esquerda; mas achava (e ainda acho) que era bom que eles tivessem assento parlamentar. Uma dúzia, para terem peso e poderem participar de alianças táticas. Aquela insistência do PCP de considerar tudo à sua direita como A Direita e se recusar a alianças só fazia com que nenhum dos pontos da sua agenda pudesse alguma vez ser lei. O Bloco vinha preencher esse espaço, pensava eu. Assim sendo, votei neles em eleições sucessivas. E eles foram crescendo até chegar à tal dúzia de deputados – que aliás creio ser o seu tamanho “natural” no eleitorado.

 

Mas ao ganhar força o Bloco também começou a ser mais visível. E apareceram dois traços de carácter preocupantes.

Primeiro, o oportunismo de se aproveitar de qualquer manifestação popular, apenas para provocar agitação. Lembro-me concretamente de uma ocupação de casas já desabitadas que iam ser demolidas. Os antigos moradores, apesar de já estarem instalados noutras casas, foram lá protestar, com o Bloco à cabeça. Nem todas as manifestações dos pobres são válidas e honestas, só porque são pobres. Os ex-moradores não tinham razão, e o Bloco sabia-o melhor do que eles.

Segundo, a maluquice de apresentar no Parlamento propostas absolutamente impossíveis de passar ou de ser aplicadas, só para provocar. Tipo, nacionalizar as grandes privadas que tinham sido privatizadas. Ou então deitar abaixo as propostas dos Governos (PS ou PSD) sem apresentar soluções credíveis. Por exemplo, agora na crise, criticar o Governo por baixar os salários da função pública e apresentar como solução “aumentar os impostos dos ricos”. Os ricos mesmo ricos (e não as pessoas que têm grandes salários) podem facilmente mover os seus capitais de modo a não pagar mais impostos. Só os putos anarcas ou os velhos pêcês é que acreditam na possibilidade de um mundo (ou um país) sem ricos. O Bloco devia ser mais realista, se queria realmente chegar a algum lado.

Terceiro, a evidência de que não estavam dispostos a participar numa coligação, em nenhumas circunstâncias. Ou seja, enquanto o PSD tem sempre a muleta do CDS quando precisar, o PS não tem uma simples bengala onde se encostar. O que dá mais hipóteses de vitória à direita. E significa que o Bloco prefere a direita no poder do que uma esquerda que não lhe agrada. Bom para a estratégia deles, mau para as boas ideias que defendem.

 

E agora esta Moção de Censura. Não preciso elaborar nos pormenores, toda a gente sabe. Até o Daniel Oliveira falou abertamente contra. Num raciocínio muito simples mostrou que esta moção implica que o Governo ficará até ao fim da legislatura, se não acontecer alguma grande desgraça. (Aqui: Eixo do Mal ).

E o incompreensível titubear do PSD já deu mais uma vitória a Sócrates, mesmo se não houver Moção: “Então o maior partido da oposição tem dúvidas sobre os considerandos da esquerda radical? O maior partido da oposição acha que a proposta PODE SER cabível?”

Uma jogada muito má. Porque toda a gente percebe que é para chatear o PCP, pondo a chateação do PCP à frente do interesse do país (que é não haver agitação política). Porque deitar abaixo o Governo seria colocar lá o PSD. E porque ao apresentar a proposta, o Bloco disse tudo o que é preciso para que o PSD vote contra e a proposta não passe. Se é para não passar, para quê apresentá-la?

 

No Eixo do Mal a Clara Ferreira Alves foi certeira, como o é tantas vezes: “Na sua imaturidade infinita, o BE tropeça nos seus próprios passos. O Bloco deve mudar de dirigentes e crescer, começar a pensar no país  e não apenas na sua sobrevivência.” (Não foi exactamente assim, estou a citar de cor, mas é essa a ideia.)

 

É uma pena já não acreditar nas possibilidades do Bloco. Assim fiquei sem ter em quem votar.

publicado por Perplexo às 20:27
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108 comentários:
De Ana Gonçalves a 13 de Fevereiro de 2011 às 21:50
Concordo em grau, género e número.....também eu deixei de ter em quem votar.......
De carlos cel a 14 de Fevereiro de 2011 às 17:19
Eu também já não tenho em quem votar há já uns anos. Mas pior do que não ter em quem votar, é ter votado em quem nos tem vindo a desiludir.
De HBoss a 14 de Fevereiro de 2011 às 21:48
Nao sejam assim.
E precisamente isso. O Bloco está a amadurecer...
De serafim leandro bonifácio a 14 de Fevereiro de 2011 às 23:17
de tanto amadurecer ainda vai cair de podre!!!!
Não podemos esquecer de onde veieram o louçã, o fazenda e os outros...
De Boanerges Campos a 13 de Fevereiro de 2011 às 21:54
Não poderia ser melhor para o PSD estas moções, o PSD não subscreve porque neste momento não conseguiria ter maioria absoluta e nem saberia o que fazer no governo.
De kallimmero a 13 de Fevereiro de 2011 às 22:08
caro amigo, se assim o posso tratar, estou um pouco na sua onda, só que eu sempre tive e tenho onde votar, qualquer pessoa minimamente atenta veria que este BE não passava de um punhado de mentes intelectuais (que tb são precisas) mas com características muito pouco comuns pra estarem ao lado da classe trabalhadora, sim trabalhadora, pq trabalhadores não são só os da fato e macaco de outros tempos. ainda hoje e existem e os homens e mulheres que trabalham nos escritórios, comercio, etc , o que são ??. já agora lembra-se do MES , partido altamente revolucionário que chamava revisionistas aos PC's , para onde foram estes senhores altamente revolucionários? eu digo pro PS, porquê?, queriam poder e tacho, não queriam estar nas lutas da classe trabalhadora. pelo contrario queriam servir-se delas, como serviram. e falo com conhecimento de causa e o amigo tb deve conhecer muitos, que se não tivessem ingressado no PS, nunca seriam os boy's que hoje são bem instalados em empregos chorudos e com reformas milionárias. caro amigo é o que está.
até hoje sempre votei PC e continuo a votar, embora tenha conhecimento de causa de alguns membros dirigentes serem tudo menos gente que está do lado da classe trabalhadora. e digo-o, tb com conhecimento de causa, pois já la estive por dentro, mas umas andorinhas não fazem a primavera . e uma coisa parece certa os dirigentes máximos do PC parecem ser gente honesta e com cabecinha e alem disso têm história. quem mais lutou contra o fascismo, só por esta razão ja merecem o nosso voto.

um abraço amigo, gostei do seu artigo, mas não diga que deixou de ter em quem votar. pelo que li o seu voto PC estará mais certo.
De mario fernandes a 14 de Fevereiro de 2011 às 11:12
No geral concordo contigo.Os militantes do MES só os opurtunistas foram para o P.S. e estão se a safar,todos novos ricos,a outra parte(salvo exepções) foram para BE,como eu.Agora tambem tenho as minhas dúvidas porque o BE ao apresentar esta MC ao governo abriu já a porta ao PSD para ser governo
que o seu lider tanto quer PODER.Quanto custa ao país mudar o governo?Quantos novos hiuppies vão-se encher á custa de virgulas e outas artimanhas?Mas tenho a certeza votar PCP não é solução.Actualmente não tenho onde votar e não sou só eu veja-se as abestenções somos mesmo muitos.
De kallimmero a 14 de Fevereiro de 2011 às 13:36
caro amigo, estive a ler alguns comentários e verifico que existe alguem a dar o toque de mestre. concordo que o BE tem trazido à discussão temas polémicos e que obriga a partir a louça toda. mas ... e depois não passa de um show off . ora vamos la abrir essas mentes, já pensaram na resposta do BE , como posição concertada com o PS, é que ao governo não competia apresentar uma moção de confiança, porque ele tem-na da recente aprovação do OE . agora os meninos traquinas do PSD sempre em sobressaltos e contra um governo que apoiam abertamente, sim porque lá no fundo, bem no fundo, isto está a correr muito melhor pro PSD do que para o PS. e porquê ? é que o PS está a governar com a politica do PSD, sem este ter que sujar as mãos e portanto é só esperar que o governo caia como a fruta podre, de maduro, então o PSD em novo OE , tirará o tapete ao PS e em novas eleições terá o caminho aberto para governar com as medidas de aperto do cinto impostas com o anterior governo e com mais algumas agravantes que certamente tb irá impor. por tudo isto, meus amigos a moção de censura do BE , não passa de uma concertação entre PS e BE , onde o governo vai sair reforçado e com o trunfo de " a partir de agora não me chateiem mais" pois a moção de censura ao não passar implicitamente fica transformada em moção de confiança, poe exclusão de partes. e o PSD, ver-se-á obrigado a calar-se para sempre, pois se quisesse derrubar o governo mais não tinha que votar uma moção de censura fosse de que partido fosse,
por ultimo deixo aqui um alerta, como em todos os partidos , de vez em quando existe as chamadas ovelhas ranhosas como o povo diz, vamos estar atentos a esses novos dissidentes do BE , sim porque mais tarde ou mais cedo eles vão aparecer, então depois se nos lembrar-mos ainda do que aqui digo, iremos ver qual será o seu novo partido de abrigo. eu arrisco já o PS, Lembram-se do super revolucionário Acácio Barreiros ??

um abraço
De Anónimo a 14 de Fevereiro de 2011 às 21:22
eu conheci um cumuna que era eng. chefe era tao cumuna ,que ao pedir-lhe para assinar uma requesicao de enbalagens de agua para nós e os camaradas dele,me enterrugou para quem era a água,respondendo eu ;que era para nos beber-mos !
dizendo.me de emediato que bebe-se água do poço assim c/em casa bebia
De António Pinto a 13 de Fevereiro de 2011 às 22:10
Deixar de votar no Bloco, quando oportunisticamente instigaram uma manifestação numa empresa que acabaria por fechar, tínhamos uma encomenda para entregar que podia ter salvo a empresa..........mas fomos na conversa deles e não prescindimos de ir de férias no dia 31 de Julho quando a empresa precisava de nós mais uns dias para terminar a encomenda. Para nossa desgraça o cliente já não aceitou a encomenda e empresa não aguentou as perdas e fechou. Quase quatro anos depois a grande maioria de nós continua sem emprego e sem subsídio de desemprego e os do bloco......um deles hoje é deputado pelo Porto e o outro é vereador. Nós que nos deixámos influenciar pelas palavras fáceis e pelo ódio deles aos patrões aprendemos uma vergonhosa lição.
De Pedro Costa a 14 de Fevereiro de 2011 às 00:08
Acho que está a ver a questão ao contrario. Porque se acha que a empresa já em dificuldades, mesmo que entregasse a encomenda, só iria adiar o seu encerramento e prolongar a agonia dos seus trabalhadores, porque certamente o patrão não iria manter uma empresa ser dar um lucro chorudo ao fim do ano, e nesta altura deverá estar certamente acomodado e provavelmente noutro destino a tratar de ganhar mais uns cobres. Tenha dó! Peça agora ao Governo que o ajude, como fizeram noutras empresas
De Isabel a 14 de Fevereiro de 2011 às 12:18
Meus amigos,
O ódio nunca levou a lado nenhum. E se não tivermos patrões, então onde é que vamos trabalhar? O francisco Louça, é um dos políticos mais burgueses que já conheci. Não se iludam. O Estado é um grande incumpridor, e não se compadece com a desgraça dos outros.
De Aldrabao a 14 de Fevereiro de 2011 às 16:15
Tu é que foste um vendido aldrabão!!! Provas, provas provas. Boca da reacção!
De Luis Pereirinha de Morais a 13 de Fevereiro de 2011 às 22:22
Não podia concordar mais. Lendo este texto e apesar de ser de uma geração diferente, o sentimento é idêntico, são palavras que facilmente teriam saído da minha própria boca. Infelizmente o bloco foi uma última chama que ditou o apagão desta classe política que, infelizmente, dita os nossos destinos.
De jorge a 13 de Fevereiro de 2011 às 22:23
Uma análise muito assertiva na minha opinião. Dou-lhe os meus parabéns porque me revejo na maior parte do que escreveu. Também sou mais um, que votou várias vezes no BE e neste momento deixou de ser hipótese. Mais um desiludido com a direcção do BE , pelo que também eu fico com as minhas possibilidades de voto reduzidas a 0.
De Ana Maria a 13 de Fevereiro de 2011 às 22:41
Só agora se decepcionou com o Bloco?Deve ser muito irónico, só pode...
Primeiro, aparece o Bloco ao lado do PS a apoiar Alegre, agora Sócrates chama esquerda radical a esse partido com quem esteve lado a lado. Isto mais parece um filme louco, circo ou palhaçada.
Infelizmente não há partido nenhum que mereça confiança. Todos mentem com quantos dentes têm e se aparecer algum honesto é corrido a alta velocidade.
De João Pedro a 14 de Fevereiro de 2011 às 10:06
Mas você por acaso viu a sequência de acontecimentos?

O Bloco de Esquerda já tinha apoiado o Manuel Alegre antes do PS se decidir. E esta última decisão foi já em cima da hora.

E digo-lhe, foi uma das causas da derrota do Alegre.

Quem falhou foi o PS.


E já agora, a todos os interessados, se calhar davam uma vista de olhos no PPP.

http://www.forum.partidopiratapt.eu/index.php
De Manuel Palma a 14 de Fevereiro de 2011 às 11:32
Ana Maria, em poucas linhas resumiu tudo. Sem tirar nem pôr. É a farsa absoluta em que vivemos actualmente...
De cfsanches a 13 de Fevereiro de 2011 às 22:52
Espere lá. Deixe-me ver se eu perceobo! Então só se tomam posições quando se sabe que se vai ganhar? O BE apresenta uma moção e há fortes hipóteses de ser chumbada. E depois? Bom, para além de outros comentários que isto mereceria fico-me com estes: Quando há eleições legislativas quantos partidos sabem que vão ganhar? Nenhum! E quantos têm possibilidades de ganhar (na nossa actual conjuntura) 2. Então, pelo seu raciocínio, na melhor das hipóteses só interessa candidatarem-se esses dois. Os outros que vão lá fazer, perder? Pela sua ideia é melhor ficarem em casa, a assistir!
Bela conclusão
De Joaquim a 14 de Fevereiro de 2011 às 12:41
Esta moção é um balão de oxigénio para Sócrates.
Os miúdos do BE quando forem grandes querem ser do PS.
Fico parvo é como certas pessoas foram na cantiga destes pequenos burgueses, que me fazem lembrar os tempos do MRPP do Durão e outros e que agora estão tos no PSD e no PS, a luta do BE é e será sempre contra o PCP. Abram os olhos....
De jota a 13 de Fevereiro de 2011 às 23:13
Não há trabalhadores?! Bem me parecia que estamos ricos!!! Ou o senhor autor deste blog nunca trabalhou ou não sabe o que é trabalhar. Essa do " Não há trabalhadores" foi boa e de certeza absoluta que foi para rir. Vá trabalhar homem e pense no que diz antes de abrir a boca!!!
De s o s a 13 de Fevereiro de 2011 às 23:18
primeiro li os comentarios, apos o que decidi ler o post. Várias afirmações poderia refutar, mas prescindo. Digo apenas que ao não ter V/Exª e aparentemente outros mais em quem votar, ganha o pais. Que cada vez haja menos cumplices involuntarios deste estado da coisa.
De Gomercindo Fonseca a 14 de Fevereiro de 2011 às 02:44
Meu amigo, embora concordando e revendo-me no que foi escrito no blogue, acho que você está cheio de razão, devemos absternos de falar ... você e eu: eu porque nem lhe devia dar troco, você porque não sabe o que diz.

Boa noite e olhe... vá...

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