Segunda-feira, 2 de Maio de 2011

Devotos e Militantes

Este Um de Maio foi o mais fraco dos últimos anos, reconheceram as pessoas que mesmo assim ainda chegaram para uma Avenida da Liberdade composta. Tem vindo a enfraquecer, adiantaram outros. Quer dizer, uma festa que já foi proibida e levada na porrada, e depois festejada com genuína alegria pela liberdade fresquinha, está a esmorecer – agora, precisamente, quando a liberdade diminui sensivelmente.

No mesmo dia, em Roma, uma multidão emocionada participou na “beatificação na hora” de João Paulo II, consagrado pelo seu ex-apaniguado e actual sucessor, Bento XVI.

Feroz, uma senhora “católica de Cascais” não deixou de salientar num comentário qualquer do Facebook que havia mais pessoas na Praça São Pedro do que na Avenida da Liberdade.

Mas a liberdade está a diminuir? Tecnicamente, não está. A pressão da máquina socialista na comunicação social, que já fez algumas vítimas, não se pode considerar uma redução da liberdade que há em Portugal. O cidadão continua a poder dizer, ler e ver o que lhe apetece. Mas a liberdade dos insolventes é zero, e os pobres são menos livres que os desafogados e os ricos. A igualdade é uma peça essencial da liberdade, e cada vez há menos igualdade.

 

Além da diminuição de presenças, a manifestação deste 1 de Maio notabilizou-se para presença avassaladora das máquinas dos sindicatos. Quer dizer, cada vez mais só se consegue fazer a festa enquadrando o pessoal em excursões, dando-lhe as t-shirts e os cartazes – a papinha feita.

É verdade que os fieis em São Pedro também terão ido em excursões, mas certamente com menos pressão dos pares. Chegamos a esta triste situação em que a religiosidade mais antiquada e conservadora mostra mais energia do que a militância da esquerda tradicional.

 

Mas nenhum destes dois grupos de extremistas representa a maioria da população. A maioria da população não foi à praia porque o tempo estava instável, mas também não foi nem à igreja nem à avenida. Não, foi arregalar os olhos para os shoppings. O Pingo Doce, que conseguiu levar os seus funcionários a furar o feriado (200% pelas horas extraordinárias e um dia de folga extra) teve as lojas cheias de movimento.

O consumo continua a ser o deus e o ídolo dos tempos que correm. As pessoas medem a felicidade pelo poder de compra. Os militantes e os devotos podem gritar à vontade, não passam de franjas do sistema.

Agora, se o sistema se aguenta, é outra questão. Vemos ver se daqui a um ano não está tudo na rua aos pontapés à República, ou nas igrejas a pedir um milagre por amor de deus.

publicado por Perplexo às 00:58
link do post | comentar | favorito

mais sobre mim

Veja também:

"Pesquisa Sentimental"

 

 

contador

pesquisar

posts recentes

Concurso de blogues

Voltarei

Silêncio...

Horta e Alorna

A Selecção, minuto a minu...

Cosmopolis

Millôr Fernandes

A maçã chinesa

Transigir ou não transigi...

EDP, o verdadeiro escânda...

arquivos

Janeiro 2013

Julho 2012

Junho 2012

Março 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Maio 2008

Abril 2008

Março 2008

Janeiro 2008

Setembro 2007

Agosto 2007

Julho 2007

Maio 2007

Abril 2007

Março 2007

Fevereiro 2007

Janeiro 2007

Dezembro 2006

Novembro 2006

Outubro 2006

Setembro 2006

Agosto 2006

Julho 2006

Maio 2006

Março 2006

Fevereiro 2006

Janeiro 2006

who?

Iniciativa Legislativa de Cidadãos contra o Acordo Ortográfico. Leia, assine e divulgue!

subscrever feeds