Segunda-feira, 16 de Maio de 2011

Éramos poucos

O maior grupo político português no FB, que dá pelo nome aterrador de “1 Milhão na Avenida da Liberdade pela Demissão de Toda a Classe Politica”, tem mais de trinta mil aderentes.

Ontem, dia 14, organizou manifestações em Lisboa e Porto para propagandear os seus objectivos principais, ou mais prementes: “O fim do monopólio dos partidos sobre a política; o combate eficaz à corrupção e a punição exemplar dos infractores; a demissão de todos os responsáveis políticos declaradamente corruptos ou incompetentes; a responsabilização política, civil e criminal dos responsáveis pela delapidação de dinheiros públicos.”

É uma mensagem bastante clara e que, julgava-se, levaria à rua os trinta mil e mais outras dezenas de milhar que certamente têm a mesma opinião. Mas estamos em Portugal, o pais onde as pessoas preferem os shoppings e as praias a chatear-se pelo que lhes interessa. Tanto no Porto como em Lisboa as manifestações tiveram escassas dezenas de participantes. No entanto, nem tudo está perdido, a avaliar por este relatório da autoria do militante Joaquim Silva:

 

IMPRESSÕES PESSOAIS SOBRE A MANIF DO PORTO:

Éramos poucos sim. No entanto voltei a casa estranhamente feliz. Porquê? deixo-vos algumas razões para o paradoxo, tão sinceras quanto tudo o que sempre por aqui convosco partilhei:
1- Éramos poucos mas não baixámos os braços. Descemos e subimos a Avenida dos Aliados, gritando palavras de ordem
2- Éramos poucos mas não despertámos a galhofa dos transeuntes que nos ouviram com palavras de encorajamento, apoio e respeito.
3-Éramos poucos mas quando discursámos, ao fundo da Avenida, alguns transeuntes juntaram-se a nós com vontade de nos conhecer. Fizemos amigos e ganhámos apoios totalmente inesperados. 
4- Éramos poucos mas estes novos amigos decerto não deixarão de falar de nós aos respectivos conhecidos: saltámos para fora do Facebook, ganhámos espessura, existência real. Deixámos de ser um «fantasma».
5- Éramos poucos mas demos a palavra a quem se quis expressar. Um novo amigo aceitou o repto. Foi tão ou mais aplaudido como outro qualquer elemento deste grupo. Isto significa que não é necessário dar a ler, a ninguém, a nossa «cartilha»: ela está de alguma forma interiorizada no sentir do cidadão comum.
6- Éramos poucos mas éramos reais, como real era a nossa vontade de fazer algo pela mudança: viemos de Braga, Vila Real, Viseu, S. João da Madeira, Esposende, Albergaria e Porto (desculpem se esqueci outras origens). Travámos, nalguns casos, conhecimento presencial que é o verdadeiro cimento de qualquer sentimento de grupo. Jamais acreditei que o conhecimento virtual pudesse substituir o contacto pessoal.
7.Éramos poucos mas como sempre disse, nunca seria a adesão às nossas iniciativas a confirmar a nossa razão para as convocar: Será sim a nossa razão que um dia poderá vir justificar a muita adesão às nossas futuras iniciativas.
Um abraço fraterno a todos quantos em Lisboa e Porto fizeram a diferença.

publicado por Perplexo às 00:09
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