Segunda-feira, 20 de Junho de 2011

Ai o Bloco...

Não estavam as eleições ainda marcadas, dissemos aqui porque não votaríamos no Bloco (“Cresçam”, 13 de Fevereiro – como o tempo passa!). Nos 108 comentários desse post, a maioria concordava que o Bloco andava a meter os pés pelas mãos e que a famigerada Moção de Censura “Agarrem-me senão bato-lhe” ao PS, tinha sido o golpe final.

Ora bem, os próceres do Bloco acabam de se reunir para avaliar a derrota sofrida e a conclusão que Louçã trouxe a público é que não conseguiram passar aos eleitores as razões porque não quiseram falar com a Troika e isso teve um alto custo eleitoral. (Também admitiu que tinham errado em não falar com a Troika.)

Custa a acreditar que tantos cérebros juntos tenham chegado APENAS a esta conclusão pois, a avaliar pelos comentários ao nosso post, foi nessa altura que o eleitorado perdeu a paciência com o Bloco, muito antes de existir a Troika. Finalmente percebemos – nós e uma metade dos anteriores eleitores no Bloco – que a estratégia deles é idêntica à do PCP: querem governar para fazer as reformas revolucionárias, e enquanto não lhes dermos votos para governar não fazem cedências à direita. Ou, por outras palavras, jamais coligarão com o PS. Ora, essa politica de ou tudo ou nada, que sempre foi, e será, a política do PCP, na realidade não serve os trabalhadores que eles dizem defender. E não serve porquê? Porque a hipótese de receberem votos para governar (serem o partido mais votado numas eleições) é muito remota, e até lá algo se podia fazer numa coligação com o PS – com dois ou três ministros numa coligação sempre se podia puxar pelas “boas” politicas e impedir algumas “más” politicas. Durante anos os eleitores acharam que o Bloco, sendo mais moderno e desempoeirado do que os estalinistas do PCP, iria precisamente seguir essa estratégia, protegendo os trabalhadores dos piores ataques do “inimigo”. Ao descobrieam que não ia ser nada disso, desiludiram-se.

Quando se chegou à postura de não falar com a Troika, já ninguém se surpreendeu, assente que estava essa abordagem bloquista do tudo ou nada. Os votos já estavam perdidos.

Isto não pode deixar de não ter sido discutido na reunião do comité central do Bloco, mas não saltou cá para fora. O que saltou foi uma discussão ridícula em torno de uma notícia do “i” que erra ao enumerar os quatro fundadores do Bloco: inclui Daniel Oliveira e esquece Fernando Rosas. Um erro do jornal que só o jornal deveria prejudicar e que se resolveria pacatamente com um “Erramos” no dia seguinte. Mas não: foi um sacrilégio que levou as várias luminárias bloquistas a entrar numa discussão estúpida. Luís Fazenda atacou o Daniel Oliveira, que não tinha nada a ver com o erro, chamando-o de zero à esquerda: “Quem é o Daniel Oliveira?” O jornalista do “i” teria dito que a informação lhe foi dada por Rui Tavares, portanto Louçã ataca Tavares; e Tavares, que diz que não disse, exige desculpas a Louçã.

Quer dizer: o pais em crise profunda, um governo novo e o mais à direita que já apareceu desde o 25 de Abril toma posse na terça feira, e o Bloco a perder tempo com estas discussões diz que não disse que não levam a parte alguma.

Por este andar, nas próximas eleições ainda encolhem mais. E nós a precisar tanto de um Bloco de Esquerda actuante, para combater os excessos que a direita se prepara para promulgar!  

publicado por Perplexo às 03:01
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6 comentários:
De ora et labora a 21 de Junho de 2011 às 20:21
o artigo vai andando, vai andando e depois acaba num parágrafo incompreensível... o BE só precisa de actuar para levar a direita ao poder - depois de apanhar o eléctrico, a quem interessa correr? bah ...
De bluegirl a 22 de Junho de 2011 às 01:13
Por acaso não sabia que eram os trabalhadores que votavam no BE !!!
Também não sabia que uma "mãozinha" do BE num hipotético governo socialista iria conduzir à derrota da direita. Afinal, não foi o (defunto) governo socialista que protagonizou a mais ousada política de direita alguma vez praticada depois do 25 de Abril e que criou condições para o ponto a que agora chegámos?
bluegirl
De Carlos Pereira a 22 de Junho de 2011 às 23:31
Depois de ler os comentários, fiquei com saudades do Zé Sapatilhas e das suas "Novas Oportunidades".
Que parte do "E nós a precisar tanto de um Bloco de Esquerda actuante, para combater os excessos que a direita se prepara para promulgar! ", é que não perceberam?
Quanto ao BE , tão inteligentes que "Nós" éramos , não éramos ?! Pelo menos já podem publicar um manual de: "Como destruir crédito político num abrir e fechar de olhos"
E não vai ter sequela, será um, " One Hit Wonder "
De bluegirl a 26 de Junho de 2011 às 02:28
Esclarecimentos ao Carlos Pereira:
1º: Existe diferença entre não perceber (isto é, ser burro) e não concordar;
2º: (Ainda) existe liberdade de expressar discordância de pensamento;
3º: Uma tal discordância pode manifestar-se de uma forma indirecta, quer dizer, sem contraposição "a par e passo" dos argumentos aduzidos pelo interlocutor; basta que se expresse no sentido do pensamento contraposto, em termos que possam ser compreendidos por um "ouvinte" medianamente inteligente e aberto ao diálogo;
4º: Aplicado isto ao caso vertente, facilmente compreenderá que a discordância ínsita no meu comentário parte, justamente, da compreensão do texto que sublinha, não sei se está a ver;
5º: Desconheço se ainda há "Novas Oportunidades", mas receio que, em matéria de educação/formação de carácter, não existam, pois ou se aprende em pequeno ou nada feito (aquelas coisas "tipo" respeito pelo próximo, não chamar nomes, encapotados ou não, etc.);
6º: Se não concordar com nada disto, não se procupe, está no seu pleno DIREITO!
De Principes Perfectus et Lindissimus a 16 de Agosto de 2011 às 15:44

(Para bluegirl)

Exempla magis, quam verba, movent... por isso não gaste o seu latim com quem não beneficiou do(s) exemplo(s) necessário(s) para poder/saber ter uma atitude de respeito e tolerância para com o próximo.


De orablogo-oranao.blogspot.com a 18 de Agosto de 2011 às 22:20
Quanta eloquência! E não é que tem razão? Só posso penitenciar-me pela minha falta de tolerância para com a intolerância. Algum defeito havia de ter, não é? (Apanhada em mais um defeito, imodéstia:)
bluegirl

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