Domingo, 13 de Novembro de 2011

Quem manda?

António Costa disse-o com as palavras suficientes na Quadratura do Círculo, mas outros comentaristas também já deram pela incongruência: Berlusconi, um primeiro ministro eleito democraticamente, não caiu por ter perdido a confiança dos eleitores mas porque os juros da dívida pública italiana passaram os sete por cento de juros no mercado internacional. Foi também a expectativa de insolubilidade que derrubou a primeiro ministro da Irlanda, David Trimble, em Maio de 2007. Os mercados derrubaram José Sócrates em Junho deste ano e Papandreou a semana passada.

Claro que se pode fazer um histórico político muito mais complicado de todas estas demissões, cada uma delas com características específicas; mas o denominador comum é o facto de governos eleitos pelos eleitores serem derrubados pelos mercados.

 

Os mercados não constituem uma entidade, nem os técnicos que os dirigem estão unidos para agir concertadamente; antes pelo contrário, os vários protagonistas (muitas centenas, talvez poucos milhares) competem entre si, a ver quem fica mais rico. No entanto pode considerar-se “os mercados” como um todo que segue a lei da oferta e da procura e que ganha dinheiro a prognosticar situações que por vezes são o resultado do próprio prognóstico. O que acontece é que “os mercados” não têm normas morais, nem obedecem aos interesses nacionais dos países. São supra-nacionais e, por definição, apolíticos; tanto lhes faz se o país A é uma ditadura ou se o dirigente do pais B é bem intencionado. Se o país C paga bem aos trabalhadores e o país D investe em betão.

O que medem é quando o país deve e qual a sua capacidade de pagar o que deve.

Actualmente, por causa da crise, toda a gente já percebeu este mecanismo, apesar da maioria das pessoas insistir que “os mercados” são maléficos, porque se estão nas tintas para a felicidade dos cidadãos. Mas quem tem de cuidar da felicidade dos cidadãos não são os mercados, são os governos eleitos por esses cidadãos.

 

O sistema é dinâmico, evolui sempre para outra coisa qualquer. A presente crise começou com a desregulação do sistema financeiro norte-americano. Sem controle político, “os mercados” precipitaram-se nunca correria ao ouro e tropeçaram na pressa.

Depois do crash, o poder político devia ter voltado a controlar o sistema financeiro. Estranhamente, não controlou. Aconteceu precisamente o contrário. Há um enorme desequilíbrio, no qual o poder político se tornou dependente dos resultados financeiros. Agora são os mercados que mandam, e não os eleitores.

 

Quando acontecerá o próximo equilíbrio?

Bem, há-de chegar a um ponto em que a diminuição da actividade económica na Europa será tal que os mercados não conseguirão extrair mais dinheiro. Muita dívida soberana e dívida privada ficará por pagar, o que corresponde a uma baixa de rentabilidade real do capital. Nessa altura, aqui em Portugal, estaremos nos níveis de consumo e qualidade de vida da década de 1960. (Em 2012-13 estaremos nos níveis de 1985).

Entretanto a agitação social fará com que a política tome novamente a primazia.

 

Como mudar isto? Com bons políticos, que tenham sentido de Estado. Que coloquem a felicidade dos cidadãos acima do equilíbrio das contas. Infelizmente, não há nenhum à vista. A Europa está entregue a gente menor, que só vê números à frente: as percentagens das eleições e as percentagens dos juros. Gente que diz o que for preciso para ganhar um voto e faz o que for preciso para baixar um ponto nos juros. Esqueceu-se do que era o projecto europeu, o objectivo de uma Europa homogénea nos direitos e nos rendimentos. Medíocres que se esqueceram da solidariedade e estão a voltar ao egoísmo dos nacionalismos.

 

Se não aparecerem meia dúzia de bons líderes nos próximos anos (meses), os “os mercados”, essas entidades anónimas e impessoais, vão engordar e engordar até rebentar – como o Sr. Creozote dos Monty Pyton.

Até explodir mais essa bolha e começar um novo ciclo, vamos passar anos muito difíceis.

Apertem os cintos.

 

publicado por Perplexo às 16:20
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67 comentários:
De Miguel Ribeiro e Silva a 13 de Novembro de 2011 às 19:06
Meu caro José Couto Nogueira,
Tenho ouvido propalar com crescente frequência a tese "governos eleitos pelos eleitores serem derrubados pelos mercados."
Com o cinismo próprio da lamentável experiência com que o País e o mundo me têm brindado nas últimas décadas, encontro-me cada vez mais a questionar-me sobre as motivações que estão por detrás destas teses aparentemente defensoras da democracia, principalmente por virem de quem vêem. Confesso que não me tem surpreendido que os politicos profissionais gostem tanto da tese. Mas fico muito preocupado quando pessoas que julgava terem percebido que é necessária uma profunda depuração (democrática, naturalmente!) da classe politica as ajudem a propalar.
Tal como os mercados, a politica não é uma entidade, mas vários protagonistas. Esses protagonistas têm várias motivações, não sendo a menor a doentia preocupação com as próximas eleições. Tal preocupação advem do facto de que grande parte destes protagonistas não têm vida própria fora da politica, nunca fizeram nada alem de serem politicos, nunca trabalharam nem nunca empreenderam. Mas na sua doentia preocupação, uma coisa eles compreenderam: não podem continuar a ser (des)governados como até aqui. Porquê? Porque os mercados não vão continuar a emprestar a Estados que não oferecem quaisquer garantias de alguma vez poderem vir a reembolsar os seus credores. Os mercados são representantes de milhões de investidores que querem ver os seus investimentos reembolsados na totalidade, na sua maturidade. E sendo, nesta altura, a sua expectativa de que não vão ser reembolsados na totalidade, não querem emprestar mais. Nada mais legitimo? Ou não?
Por isso, os protagonistas politicos demitiram Berlusconis, Papandreous e quejandos e vão continuar a demitir. Não foram os mercados que os demitiram, foram os próprios protagonistas politicos que antes os haviam nomeado. Não são os mercados que mandam, e não são os eleitores. São os seus (pseudo-)representantes, os protagonistas politicos que elegemos.
E nomearam, em sua substituição e em desespero de causa e para a sua própria sobrevivência, personagens que têm vida fora da politica, cuja carreira profissional merece credibilidade e que merecem, para já, o beneficio da dúvida. Aliás, as sondagens já realizadas mostram um apoio das populações muito superior a estes novos governantes. E a quem os mercados poderão, como nós, dar o beneficio da duvida.
A ideia de que os mercados voltarão (ou deveriam voltar) a ser controlados pela politica é uma mistificação. Queremos convencer os nossos concidadãos de que haverá investidores dispostos a emprestar a quem não oferece quaisquer perspectivas de os vir a reembolsar? Países como Portugal que têm há décadas deficites cronicos com o exterior, financiando esses deficites junto desses investidores? O que me surpreende não é que nos tenham vedado o crédito, mas que o tenham feito só agora. E aqui a explicação reside, em boa parte, no facto de que as agências de rating nos tenham brindado com notações que há muito não mereciamos. Há muito que nos deveriam (a nós e a tantos outros países!) ter baixado o rating, mas um enorme negócio de intermediação destas dividas teria sido prejudicado e as ligações umbilicais entre estas e os mediadores (instituições financeiras e bancárias) o impediram.
Voltemos aos novos governos de inspiração tecnocrática. Claro que isto é um fenómeno que preocupa os politicos profissionais. Imagine se a moda pega? O que é eles irão fazer? Alguns talvez já beneficiem das subvenções vitalicias que a eles mesmo se atribuiram ... mas e os outros?
"Bons políticos, que tenham sentido de Estado"? Isso existe? Que tal não-politicos? Porque é que não deveriamos confiar em pessoas oriundas de outras profissões para nos representarem? Será que um politico profissional que há décadas nada mais faz do que gravitar em redor de cargos politicos é mais capaz de nos representar do que um médico, um engenheiro, um empresário, um professor, ou um operário? Que o faz temporariamente, sem esperar regalias adicioanais, e mordomias injustificadas? E que nomeem governos de competência e experiência de gestão comprovada anteriores? E não estes indigentes que não têm qualquer préstimo e que, na sua esmagadora maioria, nunca fizeram nada na vida?
(continua)
De Lógica da Batata a 15 de Novembro de 2011 às 11:45
Caro Miguel Ribeiro e Silva,
Concordo plenamente com o seu post.
Fiz recentemente 50 anos e as coisas estão mais claras!
As frases do José Couto Nogueira "..com bons políticos, que tenham sentido de Estado. Que coloquem a felicidade dos cidadãos acima do equilíbrio das contas" são de um irrealismo total. Nem mesmo um político santo com sentido de estado, consegue dar felicidade aos seus cidadãos com as contas desequilibradas, isto é - sem dinheiro para pagá-las! Só pedindo emprestado. E agora ninguém nos empresta...
Este desejo por um Dom Sebastião de esquerda, político santo e super honesto, que se borrife para as contas e dê felicidade aos cidadãos, faz-me lembrar uma piada velha;
Num autocarro urbano entra uma senhora idosa que não consegue lugar sentado e há muitos jovens sentados. Ela reclama: "Já não respeito!". E um dos jovens responde: "Minha senhora, o que não há são lugares vagos!".
Ou seja o problema não é a falta de respeito pela felicidade do povo, o que não há é dinheiro para "dar" ao povo. E não há mesmo!
Qualquer manutenção dos direitos adquiridos e dos avanços civilizacionais, defendido pela esquerda, terá de ser feito pedindo dinheiro emprestado aos capitalistas de direita.
É a lógica da batata!
De Miguel Ribeiro e Silva a 13 de Novembro de 2011 às 19:07
Depois há esta história da Europa, que deveria ser solidária, mas não é. Do projecto europeu, do objectivo de uma Europa homogénea nos direitos e nos rendimentos.
Primeiro, será que deviamos esperar mais dos alemães ( e dos outros norte-europeus) ?
Devemos esperar que eles continuem a financiar eternamente os países que, como Portugal e a Grécia, mantêm há decadas deficites externos gigantescos? Devemos esperar que eles gastem menos do que o que produzem e poupem para nos emprestar? Nós aceitariamos que alguem na nossa familia se comportasse assim e a quem tivessemos que pagar 'ad eternum' as contas? Não? Então? ... eles nem são da nossa familia!
Segundo, acredito que, no que diz respeito à Europa, deveriamos adoptar a perspectiva de um gestor que, ao gerir a sua empresa, aceita o mercado como uma externalidade fora do seu controle. Neste caso, a Europa é uma externalidade, somos demasiado pequenos para almejar influenciá-la. Mas tal como uma empresa pode ser muitissimo bem sucedida num ambiente adverso, tambem nós nos deviamos concentrar no que podemos fazer para que Portugal seja bem sucedido, mesmo numa conjuntura adversa. Até, porque com a nossa reduzida dimensão, isso nem é dificil, basta crescer um pouco mais do que os países nossos concorrentes, ganhar um pouco mais de quota de mercado. Por isso, parem de falar da Europa e de os culpar e concentrem-se naquilo que podemos fazer!
Enfim, em muitas coisas até concordamos, mas aqui fica o meu contributo para a discussão e contraditório.
Abraço.
De Carlos Andrade a 14 de Novembro de 2011 às 15:15
Se esta coisa dos comentários for sujeito a votos: aí vai o meu.
Como é que se pode governar pensando mais nas pessoas e esquecer os números? Não será assunto para ser designado por "desonestidade política" ou, desculpem o termo, "chulice militante".
Como é aceitável que tenhamos um número exagerado de deputados - quase todos advogados ? Só se for para dissimular aqueles que fazem da política um negócio - e não um serviço - e só com muito improvável diligência poderem ser detectados.
Por mim, 100 deputados poderiam realizar a tarefa.
De Carlos Andrade a 14 de Novembro de 2011 às 15:24
ET : O meu comentário é feito a propósito do texto de Miguel Ribeiro e Silva
De Joao a 14 de Novembro de 2011 às 15:43
O melhor comentário que vi em muito tempo! a hipocrisia e estupidez de muitos comentadores da nossa praça é assustadora. criticam a Merkel de imperialismo e ao mesmo tempo o João Jardim de despesismo LOL acordem todos para a realidade!!!
De Manuel Matos a 14 de Novembro de 2011 às 17:15
Pois eles não são da nossa família... Mas eram da nossa família quando acabadas a I e a II Grandes Guerras tiveram que reconstruir a Alemanha com empréstimos dos restantes Países Europeu, ficando com dívidas que lhes foram perdoadas?? e quando foram anexadas as duas Alemanhas... com o rombo financeiro que levaram e a ajuda externa que... mais uma vez não foi paga?? Claro que eu não perdoaria a um familiar que se comportasse como diz que se comportam Portugal e a Grécia... a não ser que eu já me tivesse comportado assim no passado e... tivesse perdido a moral de falar no assunto.
De Miguel Ribeiro e Silva a 14 de Novembro de 2011 às 17:28
Você poderá até ter razão no que diz ... mas o q eu quero realçar é q está na altura de nos perguntarmos aquilo q nós podemos fazer para sair desta crise, em vez de perguntarmos o q os outros podem fazer (adaptação livre da celebre frase do Presidente Kennedy) ... é q pode acontecer q não façam ... mesmo nas familias, às vezes damos, mas nem sempre recebemos ... e eu acredito q Portugal poderia ultrapassar esta crise, sozinho, sse quisesse!
De golimix a 14 de Novembro de 2011 às 19:50
Se quisesse com força de vontade, todos juntos e acreditando nas pessoas e em nós próprios. Deixando para trás os "poíticos-políticos" e passando a ter gente no seu lugar!
Começando a deixar de fora os interesses, as cunhas, os cargos por nomeação e não por mérito, as mordomias e o chico-espertismo. Criando uma nova maneira de ser e de agir. E por favor não me digam que sou ingénua e que tenho ilusões porque isso é o que nos dá esperança e o que será de nós sem ela!!
L.Maria
De cicero a 15 de Novembro de 2011 às 11:29
conversa ... de coitadinho

a alemanha pagou as dividas

moral o caraças
De Fernando a 14 de Novembro de 2011 às 18:18
Esta "crise", ao menos, tem servido para um mais completo esclarecimento de todos estes jogos de poder. Acho que atingimos o ponto de "não retorno". Isto é, já não é possível continuar neste sistema. Iremos então assistir à queda do mesmo.
De cicero a 15 de Novembro de 2011 às 11:30
mto bem visto
De cicero a 15 de Novembro de 2011 às 11:51
mto bem visto
De cicero a 15 de Novembro de 2011 às 11:52
muito bem visto ... o texto do miguel hein
De O banqueiro a 14 de Novembro de 2011 às 13:42
BCE explicado como se fosse às crianças


QUE É O BCE?

- O BCE é o banco central dos Estados da UE que pertencem à zona euro, como é o caso de Portugal.



E DONDE VEIO O DINHEIRO DO BCE?

- O dinheiro do BCE, ou seja o capital social, é dinheiro de nós todos, cidadãos da UE, na proporção da riqueza de cada país. Assim, à Alemanha correspondeu 20% do total. Os 17 países da UE que aderiram ao euro entraram no conjunto com 70% do capital social e os restantes 10 dos 27 Estados da UE contribuiram com 30%.



E É MUITO, ESSE DINHEIRO?

- O capital social era 5,8 mil milhões de euros, mas no fim do ano passado foi decidido fazer o 1º aumento de capital desde que há cerca de 12 anos o BCE foi criado, em três fases. No fim de 2010, no fim de 2011 e no fim de 2012 até elevar a 10,6 mil milhões o capital do banco.



ENTãO, SE O BCE É O BANCO DESTES ESTADOS PODE EMPRESTAR DINHEIRO A PORTUGAL, OU NÃO? COMO QUALQUER BANCO PODE EMPRESTAR DINHEIRO A UM OUOUTRO DOS SEUS ACCIONISTAS.

- Não, não pode.



PORQUÊ?!

- Porquê? Porque... porque, bem... são as regras.



ENTÃO, A QUEM PODE O BCE EMPRESTAR DINHEIRO?

- A outros bancos, a bancos alemães, bancos franceses ou portugueses.



AH PERCEBO, ENTãO PORTUGAL, OU A ALEMANHA, QUANDO PRECISA DE DINHEIRO EMPRESTADO NÃO VAI AO BCE, VAI AOS OUTROS BANCOS QUE POR SUA VEZ VÃO AO BCE.

- Pois.



MAS PARA QUÊ COMPLICAR? NãO ERA MELHOR PORTUGAL OU A GRÉCIA OU A ALEMANHA IREM DIRECTAMENTE AO BCE?

- Bom... sim... quer dizer... em certo sentido... mas assim os banqueiros não ganhavam nada nesse negócio!



AGORA NãO PERCEBI!!..

- Sim, os bancos precisam de ganhar alguma coisinha. O BCE de Maio a Dezembro de 2010 emprestou cerca de 72 mil milhões de euros a países do euro, a chamada dívida soberana, através de um conjunto de bancos, a 1%, e esse conjunto de bancos emprestaram ao Estado português e a outros Estados a 6 ou 7%.



MAS ISSO ASSIM É UM "NEGÓCIO DA CHINA"! SÓ PARA IREM A BRUXELAS BUSCAR O DINHEIRO!

- Não têm sequer de se deslocar a Bruxelas. A sede do BCE é na Alemanha, em Frankfurt. Neste exemplo, ganharam com o empréstimo a Portugal uns 3 ou 4 mil milhões de euros.



ISSO É UM VERDADEIRO ROUBO... COM ESSE DINHEIRO ESCUSAVA-SE ATÉ DE CORTAR NAS PENSÕES, NO SUBSÍDIO DE DESEMPREGO OU DE NOS TIRAREM PARTE DO 13º MÊS.

As pessoas têm de perceber que os bancos têm de ganhar bem, senão como é que podiam pagar os dividendos aos accionistas e aqueles ordenados aos administradores que são gente muito especializada.




De O banqueiro a 14 de Novembro de 2011 às 13:44
MAS QUEM É QUE MANDA NO BCE E PERMITE UM ESCÂNDALO DESTES?

- Mandam os governos dos países da zona euro. A Alemanha em primeiro lugar que é o país mais rico, a França, Portugal e os outros países.



ENTÃO, OS GOVERNOS DÃO O NOSSO DINHEIRO AO BCE PARA ELES EMPRESTAREM AOS BANCOS A 1%, PARA DEPOIS ESTES EMPRESTAREM A 5 E A 7% AOS GOVERNOS QUE SÃO DONOS DO BCE?

- Bom, não é bem assim. Como a Alemanha é rica e pode pagar bem as dívidas, os bancos levam só uns 3%. A nós, à Grécia ou à Irlanda que estamos de corda na garganta e a quem é mais arriscado emprestar, é que levam juros a 6%, a 7 ou mais.



ENTÃO NÓS SOMOS OS DONOS DO DINHEIRO E NÃO PODEMOS PEDIR AO NOSSO PRÓPRIO BANCO!...

- Nós, qual nós?! O país, Portugal ou a Alemanha, não é só composto por gente vulgar como nós. Não se queira comparar um borra-botas qualquer que ganha 400 ou 600 euros por mês ou um calaceiro que anda para aí desempregado, com um grande accionista que recebe 5 ou 10 milhões de dividendos por ano, ou com um administrador duma grande empresa ou de um banco que ganha, com os prémios a que tem direito, uns 50, 100, ou 200 mil euros por mês. Não se pode comparar.



MAS, E OS NOSSOS GOVERNOS ACEITAM UMA COISA DESSAS?

- Os nossos Governos... Por um lado, são, na maior parte, amigos dos banqueiros ou estão à espera dos seus favores, de um empregozito razoável quando lhes faltarem os votos.



MAS ENTÃO ELES NÃO ESTÃO LÁ ELEITOS POR NÓS?

- Em certo sentido, sim, é claro, mas depois... quem tem a massa é quem manda. É o que se vê nesta actual crise mundial, a maior de há um século para cá.

Essa coisa a que chamam sistema financeiro transformou o mundo da finança num casino mundial, como os casinos nunca tinham visto nem suspeitavam, e levou os EUA e a Europa à beira da ruína. É claro, essas pessoas importantes levaram o dinheiro para casa e deixaram a gente como nós, que tinha metido o dinheiro nos bancos e nos fundos, a ver navios. Os governos, então, nos EUA e na Europa, para evitar a ruína dos bancos tiveram de repor o dinheiro.



E ONDE O FORAM BUSCAR?

- Onde havia de ser!? Aos impostos, aos ordenados, às pensões. De onde havia de vir o dinheiro do Estado?...



MAS METERAM OS RESPONSÁVEIS NA CADEIA?

- Na cadeia? Que disparate! Então, se eles é que fizeram a coisa, engenharias financeiras sofisticadíssimas, só eles é que sabem aplicar o remédio, só eles é que podem arrumar a casa. É claro que alguns mais comprometidos, como Raymond McDaniel, que era o presidente da Moody's, uma dessas agências de rating que classificaram a credibilidade de Portugal para pagar a dívida como lixo e atiraram com o país ao tapete, foram... passados à reforma. Como McDaniel é uma pessoa importante, levou uma indemnização de 10 milhões de dólares a que tinha direito.



E ENTÃO COMO É? COMEMOS E CALAMOS?

- Isso já não é comigo, eu só estou a explicar...
De diogo a 14 de Novembro de 2011 às 14:30
nao sou de ler muito mas li o teu comentario e lia de novo....

mto bom
De Zé Povinho a 14 de Novembro de 2011 às 16:02
Gostei imenso do que explanou. Dou os meus parabéns ao modo como o fez. Um dos livros que me mais tocou foi "Os 24 protocolos dos Sábios de Sião". Esse livro, mais não é o que explicou, embora em moldes diferentes. Posso afirmar que foi elaborado por pessoas extremamente inteligentes. O resultado é o que agora presenciamos. Uma vez endividados, ficamos nas mãos a quem demos dinheiro.
De Zé Povinho a 14 de Novembro de 2011 às 16:05
O resultado é o que agora presenciamos. Uma vez endividados, ficamos nas mãos a quem devemos dinheiro. Aqui fica a correcção do texto. Desculpe-me a o erro.
De cicero a 15 de Novembro de 2011 às 11:32
ó Zé Povinho

você está quase um nazi homem ... os nazis usaram essa "treta " para justificar o holocausto dos judeus ... "TODOS ELERS BANQUEIROS SANGUINÁRIOS

vá tomar prozac ou lavar a lingua com sabão
De cicero a 15 de Novembro de 2011 às 11:59
gostei do seu texto ... O Banqueiro

boas questões e mta tino da resposta ... de facto há coisas que só existem porque alguem tem de manter um determinado nivel de vida ... como aí a malta do BCE e dos Bancos

mas porque chegámos lá ? todos alegremente a gastar em bugugangas baratas do Oriente , casas no Ocidente , e carros ?

interessava a manter a economia animada ... e endividada ?

opção individual e colectiva fatal
De trauliteiro a 14 de Novembro de 2011 às 14:05
pois esta mas a alemanha e um grande e bom pais, a holanda e um pequeno e bom pais, o luxemburgo e um micro e bom pais, etc, portugal e um pequeno e pessimo pais porcausa nao dos politicos europeus mas dos politicos de ca que so se interessam por tachos e vida facil. Por exemplo o PS saiu do governo tem 4 meses ja querem ir para la outra vez, se repararem sao montes os boys que aparecem a mandar bocas na assembleia sempre num tom trauliteuiro e de confronto. MAS QUAL E A MORALIDADE DUM PARTIDO QUE NEM E CARNE NEM PEIXEW DESDE A FUNDA;AO dele proprio, O PS NAO SABE SE E DE ESQUERDA, SE E DE DIREITA, QUANDO ESTA FORA DIZ /SE DE ESQUERDA , QUANDO ESTA DENTRO E DO CENTRO PARA LA SE PERPETUAR, como se pode confiar num partido e em pessoas destas??? O PS ESTEVE NO GOVERN NOS ULTIMOS 13 ANOIS EM 16 PERCEBE/SE as asneiras que fez, portugal esta na bancarota e vive de dinheiro emprestado a juros bons ou o SOARES TRAULITEIRO queria dinheiro emprestado por solidariedade e de borla?? assim todos pediam emprestado ATE AGORA SOARES E TRAULITEIRO.
De cicero a 15 de Novembro de 2011 às 11:33
o PS é uma M.... constituida por vigarista e mafiosos
De trauliteiro a 14 de Novembro de 2011 às 14:05
pois esta mas a alemanha e um grande e bom pais, a holanda e um pequeno e bom pais, o luxemburgo e um micro e bom pais, etc, portugal e um pequeno e pessimo pais porcausa nao dos politicos europeus mas dos politicos de ca que so se interessam por tachos e vida facil. Por exemplo o PS saiu do governo tem 4 meses ja querem ir para la outra vez, se repararem sao montes os boys que aparecem a mandar bocas na assembleia sempre num tom trauliteuiro e de confronto. MAS QUAL E A MORALIDADE DUM PARTIDO QUE NEM E CARNE NEM PEIXEW DESDE A FUNDA;AO dele proprio, O PS NAO SABE SE E DE ESQUERDA, SE E DE DIREITA, QUANDO ESTA FORA DIZ /SE DE ESQUERDA , QUANDO ESTA DENTRO E DO CENTRO PARA LA SE PERPETUAR, como se pode confiar num partido e em pessoas destas??? O PS ESTEVE NO GOVERN NOS ULTIMOS 13 ANOIS EM 16 PERCEBE/SE as asneiras que fez, portugal esta na bancarota e vive de dinheiro emprestado a juros bons ou o SOARES TRAULITEIRO queria dinheiro emprestado por solidariedade e de borla?? assim todos pediam emprestado ATE AGORA SOARES E TRAULITEIRO.
De PSD a 15 de Novembro de 2011 às 11:31
és tão burro
De Anónimo a 14 de Novembro de 2011 às 14:36
Sócrates foi derrubado por sua ignorância e pela ignorância de alguns de seus ministros. Quem manda são os mercados, que mandam na Merkel e no Sarkozy, e estes, por sua vez, mandam nos Passos e troca-passos. Convenci-me que os mercados estavam a aumentar a crise, mas não. Não são os mercados que estão a gerar a crise, são os líderes europeus e mundias que estão em crise, e todos eles submetidos a uma nova potência que se chama China. Esta joga bem, joga fino e silenciosamente. Tudo ao contrário de alguns líderes histéricos que andam pela Europa.
De cicero a 15 de Novembro de 2011 às 11:34
isso mesmo

o Cravalho da Silva que vá e leve a Ana Avoila para a China para dar consciencia SOCIAL ao PCC e este dar DIREITOS SOCIAIS aos trabalhadores chineses

uns aldrabões a desfilar ...VÃO DESFILAR PARA TIENNAMEN
De FEFA a 14 de Novembro de 2011 às 14:43
A TERCEIRA GUERRA MUNDIAL UMA VEZ QUE NÃO PODE SER BÉLICA PORQUE DESTRUIA O GLOBO TERRESTRE É ECONÓMICA!NO CENTRO DESTA GUERRA COMO JÁ FOI NA SEGUNDA ESTÁ A ALEMANHA...DE VEZ ENQUANDO NESTE PAÍS APARECEM UNS "NAZIS"-NÃO CONFUNDIR COM A MAIORIA DO POVO, MAS SIM ALGUNS POLÍTICOS DE MEIA TIGELA.AGORA JÁ NÃO HÁ HELMUT COL,HÁ SIM UNS ENÚGREMES QUE EXPLORAM SELVATICAMENTE OUTRAS NAÇÕES MENOS FAVORECIDAS A PAGAR JUROS ALTÍSSIMOS PELAS SUAS DÍVIDAS QUANDO ELES PAGAM 0,08 OU COISA PARECIDA. A GERAÇÃO DE MAUS POLÍTICOS TAMBÉM ATINGE PORTUGAL ONDE IMPERA A ESCUMALHA COMO NUNCA ACONTECEU.O MAL NÃO É DA DEMOCRACIA MAS SIM DA IMCOMPETÊNCIA DE PESSOAS QUE SÓ PENSAM NELAS E NÃO NA NAÇÃO.VEJA-SE ESTE GOVERNO QUE EM 4 MESES JÁ MENTIU MAIS QUE O SÓCRATES EM 6 ANOS E CHAMAVAM-LHE MONTIROSO...CHAMA-LHE ANTES QUE TE CHAMEM A TI.A CRISE ATÉ HÁ 4 MESES ERA SÓ NOSSA AGORA JÁ É DA EUROPA E DO MUNDO.. POIS A CRISE MUNDIAL E EUROPEIA COMEÇOU APENAS HÁ 4 MESES!...MENTIROSOS.
De cicero a 15 de Novembro de 2011 às 12:10
você tá maluco

De António Torres a 14 de Novembro de 2011 às 14:47
Parabéns ao "O Banqueiro". Acertou na "mouche". É essa a minha opinião. É a explicação mais real e concreta para esta crise A maior dos últimos 80 anos.
O Sistema Financeiro Internacional é o principal culpado da crise, embora se admita algum laxismo dos Governos. Os politicos são o espelho representativo dum país. Os Banqueiros ou Financeiros tenho dúvidas que o sejam. Nunca ouviram dizer que o Capital não Pátria?
De cicero a 15 de Novembro de 2011 às 11:35
PENSAVA QUE O CAPITAL TINHA PATRIA ... E ESTA ERAM OS "MAUS " DOS EUA ....
De lurdes a 14 de Novembro de 2011 às 15:24
falta de valores morais.
De maria laura A a 15 de Novembro de 2011 às 10:24
Na verdade esta nova geração, os negócios deles é números mas para isso é preciso que haja trabalho para na verdade, os novos governantes vem de uma sociedade que os pais abdicavam muito em função dos seus filhos para eles se formarem houve pais que trabalharam na lavoura passaram muito para dar lhes algo melhor aos filhos, que hoje estão na politica, hoje nem perdem um bocado para pensar um pouco no passado dizem que não vale a pena mas a ganância do poder é tanta que um dia os filhos deles e que vão sofrer com esta discrepância na sociedade sem empregos eu acho que nunca Portugal esteve tão mal noz entramos numa sociedade descartável isso tudo tem um preço

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