Segunda-feira, 12 de Setembro de 2011

Nada é universal

Na época do ataque do 11 de Setembro, era João Soares Presidente da Câmara de Lisboa, quem se lembra?

Pois bem, Soares encomendou ao cartoonista Augusto Cid um monumento de homenagem às vítimas do 11 de Setembro. Cid saiu-se bem e concebeu uma espécie de árvore metálica que representa uma parte da fachada de uma das torres, com quatro colunas. A peça foi colocada, muito apropriadamente, na Avenida Estados Unidos, no cruzamento com a Avenida de Roma. Já não se encontra nenhuma referência, mas certamente que terá sido inaugurada com pompa e circunstância e a presença do embaixador dos E.U.A.

 

Hoje, dez anos depois do ataque lá está – o metal manchado de ferrugem, mas ainda em bom estado. Uma reportagem na SIC Notícias (tiro-lhe o chapéu por esta trouvaille) começa por salientar que ninguém lhe liga nenhuma nem foi colocar lá flores a assinalar a data.

Mas o melhor veio depois, com as perguntas a três transeuntes, que aliás assinalaram que moram nas redondezas. A jornalista, em off, inquiria os entrevistados a pouca distância do monumento, que se via bem ao fundo. Note-se que até um ceguinho conseguiria perceber a forma do revestimento das torres, com as colunas do andar térreo a juntarem-se numa espécie de ogiva gótica. Na base de mármore preto, uma enorme placa explica pormenorizadamente do que se trata.

 

Senhor sessentão, pele escura, até podia ser timorense:

—  Aquilo ali? Não sei... Acho que é sobre Timor.

—  Sobre Timor?

—  Sim, uma homenagem ao povo de Timor.

 

Senhora sessentona, tipo dona de casa apressada:

—  Não, não sei o que é...

—  Já reparou nele? O que acha que representa?

—  Já, já reparei... mas não sei. É uma árvore, talvez.

 

Jovem de barbicha, tipo estudante de férias:

—  Não faço ideia.

—  Mas nunca foi lá ver o que é?

—  Não, por acaso passo todos os dias por aqui, mas nunca fui lá ver.

 

Era caso para reformular a questão do primeiro parágrafo: quem foi João Soares? E acrescentar outra: O que são os Estados Unidos?

Não deixa de ser extraordinário que na capital de um pais com quase dois telemóveis por habitante, 99% de lares com televisão e mais de 40% com Internet, haja pessoas para quem os atentados do 11 de Setembro não existiram.

E nós a pensar que há acontecimentos universais!

publicado por Perplexo às 01:41
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