Terça-feira, 6 de Dezembro de 2011

A importância ética da Casa dos Segredos

E eu, que pensava que a Casa dos Segredos é um programa inqualificável, afinal enganei-me.

Mas vamos por partes. A minha opinião vinha de um acúmulo de situações:

  1. A ideia de fechar 16 pessoas numa casa, sem livros, jornais, televisão ou qualquer outro estímulo exterior, com a única intenção de as levar a ter relações emocionais e sexuais;
  2. Colocar essas pessoas sob escrutínio contínuo, 24 horas por dia, com uma cobertura total de câmaras de vigilância e microfones pendurados ao pescoço;
  3. Incentivá-las com prémios monetários a fazer amizades e inimizades, a criar ódios e amores, e a ter sexo, quando elas não o fizerem espontaneamente;
  4. Levá-las a denunciarem-se umas às outras e a votarem expulsões;
  5. Promover mesas redondas, inquéritos de opinião e debates sobre as situações artificialmente criadas pela interacção num espaço fechado e pela coscuvilhice dos participantes e dos promotores que de fora as incentivam.
  6. Inventar que cada uma dessas pessoas deve ter um “segredo”, ou seja, uma coisa inconfessável da sua vida que será “revelada” durante o programa.
  7. Escolher pessoas do mais baixo nível intelectual, do fundo da escala social e sem valores morais, para expor e gozar com essas limitações.

 

A lista não acaba aqui, mas não é preciso ir mais longe.

 

Eis que esta semana ficamos a saber que graças à Casa dos Segredos, foi revelado quem é o “Estripador de Lisboa”!

A história é exemplar: um dos concorrentes a habitante da casa deu como segredo o facto de saber quem era o estripador. Nas entrevistas que lhe fizeram, contou que era o seu próprio pai.

A produção, vendo ali um furo de reportagem, passou a informação ao jornal Sol. Felícia Cabrita entrevistou o pai, que confessou tudo. Ficou também a saber que os filhos encontraram anotações em que ele confessa os três crimes cometidos em 1993.

Depois de ter o material, inclusive uma confissão gravada, a jornalista contactou a Judiciária (por uma questão de delicadeza, calcula-se, uma vez que a Judiciária o saberia quando lesse o Sol).

 Infelizmente os crimes já prescreveram, portanto nada lhe acontecerá.

 

Não importa; o que interessa é que, se não fosse a “Casa dos Segredos”, nunca saberíamos quem é o Violador de Lisboa!

 

Pelos valores morais e éticos que representa, esta história não pode deixar de ser contada aos nossos filhos...

publicado por Perplexo às 01:42
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