Segunda-feira, 9 de Janeiro de 2012

EDP, o verdadeiro escândalo

Escândalo é uma palavra sobre-usada na comunicação social. Primeiro, ocorrências diárias não podem ser consideradas escandalosas, uma vez que perderam o carácter de excepção que faz parte da definição de escândalo; segundo, já não há nada que possa escandalizar uma opinião pública que leva com o chicote todos os dias.

Isto, a propósito do “escândalo” de ontem, que foi a nomeação de meia dúzia de cabeças do PSD e PP para os suculentos cargos no Conselho Geral de Supervisão da EDP, por causa da recomposição do órgão para acomodar o novo sócio chinês.

Mas as nomeações não têm nada de trepidante. Os anteriores conselheiros tinham sido nomeados pelo PS, na altura no poder. Catroga, agora conselheiro-mor, até já era conselheiro. Que hoje, em ciclo de uma nova maioria, sejam escolhidos os preferidos dos dois partidos no poder, não é nada de inusitado. Até se compreende. Catroga, por exemplo, está a ser pago pelo trabalho que teve a fazer o programa eleitoral do PSD.

 

Verdadeiramente escandaloso é a existência do Conselho Geral de Supervisão.

Trata-se de um órgão da chamada “gestão bícefala”, uma invenção dos tempos de Guterres que tem como único objectivo criar tachos para os boys. O CSG tem funções semelhantes aos antigos conselhos fiscais das sociedades anónimas, mais a função magna de decidir os salários e bónus do Conselho de Administração executivo – as sete pessoas que realmente dirigem a EDP, Mexia à cabeça.

A diferença é o tamanho – são vinte e três lugares, para um órgão que, verdadeiramente, nada tem a decidir, ou toma decisões uma vez por ano – e os custos: o CGS implica instalações luxuosas no centro de Lisboa, carros com motorista, secretarias e (calculamos) cartões de crédito para despesas, viagens e demais floreados devidos a quem está por cima na pirâmide social.

Até agora, o CGS era dirigido por António de Almeira, socialista, amigo de Almeida Santos e inimigo de Mexia. A sua função, paga a peso de ouro, consistia basicamente em chatear o CEO do EDP, validando ou não (a título consultivo) as decisões de gestão.

Existindo o Conselho Geral de Supervisão, um órgão inventado para 23 criar tachos, não pode surpreender que os tachos sejam preenchidos.

Se pode haver outro escândalo que surpreenda, é como a população aceita pacificamente que a roubem (o CSG é pago, em última análise, pelos consumidores) e ainda por cima o façam abertamente, na cara de toda a gente.

Pois é este o charme da liberdade de opinião: pode-se reclamar à vontade, que ninguém vai preso. Mas não serve para nada.

publicado por Perplexo às 16:35
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De lima a 9 de Janeiro de 2012 às 21:24
é mesmo uma grande vergonha
não muda nada estes fulanos impõem as medidas não tem concorrência
e obrigam as pessoas que precisam da electricidade a pagar o que eles querem
quando venderam aos chineses ja devem ter dito que vendiam mas tinha de ser com essa condição.
vão todos embora de Portugal políticos corruptos.
GANHEM VERGONHA DEVEM SER DA MAÇONARIA!!!!
De Anónimo a 10 de Janeiro de 2012 às 01:23
Pode ser que se forem corruptos como lhes é habitual, desta vez o CEO chinês os mande encostar à parede e mande a conta da bala à viúva do corrupto!!!!!!
De Anónimo a 10 de Janeiro de 2012 às 12:20
Parece impossivel como ainda há tanta gente Burra. Sabem comentar, sabem dizer mal destes Abutres mas, depois na hora da verdade nao votam, votam nos mesmos de sempre, votam em branco, votam nulo,etc. É tempo de dizer Basta, vamos mudar Portugal, vamos dar um exemplo ao Mundo. Votemos CDU deixemo-nos de tretas, de falssas demagogias, porque nao experimentar. se a CDU nao servir vai para a rua há sempre opçoes, é preciso é nao ter medo da mudança séria.
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